União das Freguesias de Morreira e Trandeiras

A União das Freguesias de Morreira e Trandeiras nasce com a Lei nº 11-A/2013 de 28 de Janeiro (Reorganização administrativa do território das Freguesias).

Situação esta que equivale a dizer que esta criança ainda não possui grande história. No entanto a mesma tem origem em duas freguesias com bastante história e qua passamos a informar a origem das mesmas:

História da Freguesia de Morreira - Braga


Morreira é uma Freguesia 70 % Rural que pertence ao Concelho, Distrito e Arquidiocese de Braga. Ocupando cerca de 330 hectares sendo uma das 9 grandes Freguesia do Concelho em área, dista a cerca de 7Km da sede da Concelhia e faz Fronteira com as Freguesias de Esporões, Trandeiras, Penso de Santo Estevão e Escudeiros, e com as de Leitões São Martinho, Balazar, e São Clemente de Sande do Concelho de Guimarães.

O documento mais antigo que se conhece mencionando a freguesia data de 1092 e refere-a com a designação de Vila Cova. Antes de 28 de Julho de 1180, D. Afonso Henriques fez da freguesia uma "honra".

Em 1220, surge como São Miguel de Vila Cova e, setenta anos depois, em 1290, aparece já como paróquia. Em 1528, diz-se estar em anexa ao Mosteiro de Oliveira, da terra de Vermoim e, em 1749, é conhecida como São Miguel Vila Cova da Morreira, são Miguel é o Patrono da Freguesia e Actualmente, é designada quase só por Morreira.

De acordo com o Pe. Carvalho, Morreira foi uma Vigararia da apresentação do Convento de Landim ou, segundo a Estatística Paroquial, datada de 1862, da apresentação do Convento de São Vicente de Faro. Posteriormente, passou a Reitoria.

Segundo contam os antigos, aquando da reconstrução da Igreja Matriz de Morreira, foi encontrada uma pedra triangular que se mantinha de pé e apresentava uma pequena cavidade no centro. Essa pedra suscitou estranheza e um certo fascínio aos locais que, a partir daí, passaram a utilizá-la como vazo, onde colocavam o azeite para acender a lamparina do Santíssimo. Este facto pode também explicar a designação da Igreja Vila Cova da Morreira. No entanto, existe uma lenda, segundo a qual o topónimo da Freguesia deriva do facto de a mesma estar situada entre Dois Morros, pois esta é a versão que se enquadra perfeitamente às características da Freguesia passar a designa-se Freguesia da Morreira, e assim se fez a Elaboração da TOPONÍMICA, HERÁLDICA, BRASÃO, BANDEIRAS, CARIMBOS ,GALHARDETES e outros.

A 28 de Dezembro de 2002, o Brasão da Freguesia da Morreira, bem como a designação "Freguesia da Morreira do Concelho de Braga", foram aprovados pela Assembleia de Freguesia Presidida pelo Sr. António Veiga Pereira, 1º Secretario Sr. David Marques Rodrigues, 2º Secretario Sr. José Pedro Vieira de Carvalho e restantes membros da Assembleia, rectificados pelo Executivo da Junta de Freguesia Respectivamente Sr. João Gonçalves de Carvalho, Sr. Manuel de Azevedo Martins, Sr. José Costa da Silva e, posteriormente, publicados no Diário da República 2ª série, datado de 17 de Fevereiro de 2003 e registados no livro de Registos do Ministério das Autarquias e das Cidades em Lisboa.

Resenha Histórica da Freguesia de Trandeiras

A origem da Freguesia perde-se no tempo, pelo que não é fácil datar com precisão a sua existência.

Após algumas investigações, nomeadamente na Biblioteca Municipal e com a ajuda da Internet, preparamos um breve resumo, com base nos documentos que também são apresentados ao longo deste trabalho.

"O Povoamento da Freguesia de Trandeiras é anterior à nacionalidade, o que é confirmado pela existência do lugar de "Ruilhe", cujas origens podem relacionar-se com o castro do Monte de Santa Marta e com a Romanização deste local e da Brácara pré-romana.

Existem referências a Trandeiras, relativas à nobreza aqui instalada, conhecida por os "de Trandeiras", não se sabe se por aqui terem origem ou se por terem o seu solar principal.

Este lugar corresponderia a uma "villa", que aparece referenciada nos documentos da Sé Bracarense do séc.XI, e teria sido propriedade de um "egica", um notável rei Visigodo da Península (680 – 702).

O reinado Visigódo terminou com a sua expulsão em 711 pelos Muçulmanos de Tânger, comandados por Tarique, na batalha de Guadalete.

Por sua vez, no ano de 740, D. Afonso, o Católico, conquistou a cidade de Braga aos Mouros, os quais nunca deixaram de procurar reconquistar Braga e os seus ataques constantes surtiram efeito, tendo o califa de Córdova reconquistado a cidade em 985. Os mouros foram obrigados a abdicar mais tarde, a favor do Reino de Leão.

Posteriormente, aparece referenciado num documento, que o casal Eirigo Eitaz, mais propriamente em 1072, doaram ao bispo D. Pedro, o território, hoje ocupado por Trandeiras, e a antiga "villa" de Trandeiras foi uma zona de férias e de repouso dos seus proprietários.

O Rei de Leão, D. Afonso VI, que tinha então conquistado a Península Ibérica, tinha uma filha, D. Teresa, a qual veio a casar com Dom Henrique, Conde de Borgonha, que recebeu do Rei de Leão, o Condado Portucalense como dote de casamento.

O dote referido no parágrafo anterior ao conde D. Henrique de Borgonha (Pai de D. Afonso Henriques) foi realizado em 1095, e englobava além de Braga, todo o território do Condado Portucalense. Condado esse, que tinha como fronteiras a ocidente, que ia desde o rio Minho ao rio Tejo. A fronteira oriental situava-se, ao norte do rio Douro, entre a terra de Panoias e a de Bragança, e, a sul do Douro, entre Lamego e o Côa. O Tejo constituía, provavelmente, o limite sul deste condado.

Sabemos também que o conde D. Henrique procurou alcançar a unidade eclesiástica do condado e, dentro desse espírito, dirigiu-se a Roma, em 1102, com o objectivo de conseguir do Papa a vinculação de todas as dioceses (Coimbra, Viseu, Lamego) à arquidiocese de Braga, possibilitando, assim, que desde o Cantábrico ao Tejo, todos os territórios estivessem sob o domínio da mesma metrópole eclesiástica.

A Freguesia de Trandeiras foi propriedade de mitra de Braga desde 1072 até 1128, ano em que D. Afonso Henriques trocou a localidade "Panoias" por Trandeiras. Não deixa de ser curioso, que esta troca tenha acontecido no ano de 1128. Foi nesse ano que D. Afonso Henriques travou a batalha de S. Mamede, em 24 de Junho de 1128, contra as tropas chefiadas por Fernão Peres de Trava partidário da política de D. Teresa, à qual o seu filho se opunha, apoiado por grandes figuras da época. Batalha essa que venceu, sendo por isso, a data da sua realização considerada o primeiro dia de Portugal, embora só oficialmente reconhecido em 1143 com a assinatura do tratado de Zamora, entre D. Afonso Henriques e o seu primo D. Afonso VII Rei de Leão e de Castela.

Trandeiras, embora como Villa, remonta no mínimo ao ano de 700, resta-nos descobrir quando passou a Freguesia. Esta tarefa tornou-se bem mais complicada, porque não encontramos qualquer referência que nos permitisse explorar. A única que encontramos é a citação número três, onde já nos aparece o S. Salvador de Trandeiras, Padroeiro da nossa Freguesia, e como essa citação é referente ao ano de 1147 ( 3 anos após o tratado de Zamora), altura em que D. Afonso Henriques ainda era rei de Portugal, reinou até 1185, pensamos que foi ele quem elegeu a Villa de Trandeiras a Freguesia de Trandeiras.

Muito provavelmente, e tendo em consideração as citações históricas, podemos concluir que a Freguesia de Trandeiras remonta no mínimo ao ano de 1072, e já então possuía no mínimo 3 proprietários distintos, senão vejamos:

Sabemos que em 1072 o casal Eirigo Eitaz, doou ao bispo D. Pedro, o território, hoje ocupado por Trandeiras, a antiga "villa" de Trandeiras, que foi uma zona de férias e de repouso dos seus proprietários. No entanto, também sabemos que com a morte de D. Payo Godins em 1108, os irmão, Mem Pais "Visa" e Mem Pais "Bofinho", ambos herdaram parte de Trandeiras, tendo pouco tempo depois, Mem Pais "Bofinho" vendido, trocado ou doado parte da sua herança em Trandeiras e em 1163 vendido os seus casais de Trandeiras à Sé de Braga, donde se conclui que existiam algumas habitações.